Com receio da inflação, BC faz apelo à memória do brasileiro


Com receio da inflação, BC faz apelo à memória do brasileiro

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem feito apelos à memória do brasileiro em discursos e documentos
Símbolo da hiperinflação, máquinas de remarcar preços fazem parte da história do Brasil dos anos 1990    (Wanderlei Pozzembom/CB/D.A Press - 9/2/09) 
Símbolo da hiperinflação, máquinas de remarcar preços fazem parte da história do Brasil dos anos 1990


 
Viver no Brasil antes de 1994 significava estocar comida, comprar dólares, ter um salário de milhões na carteira de trabalho e, mesmo assim, não conseguir comprar muito. A inflação corroía a economia. As pessoas, sem condições de planejar, viviam um dia de cada vez, sem possibilidade de programar o futuro. Diferentemente de hoje, comprar um carro naquela época era um dos melhores investimentos. Quanto mais velho o automóvel, mais caro ele ficava.

Com receio da possibilidade, mesmo que mínima, de um cenário como esse voltar ao Brasil, o Banco Central tem feito apelos à memória do brasileiro em discursos e documentos divulgados recentemente. “A sociedade sabe que taxas de inflação elevadas geram distorções na economia, levam a aumentos dos prêmios de risco, deprimem os investimentos, subtraem o poder de compra de salários e reduzem o potencial de crescimento da economia”, disse o presidente do BC, Alexandre Tombini, na última sexta-feira. O objetivo dessa comunicação mais dura é impedir que a inflação se realimente de expectativas ruins e saia do controle. Na prática, o recado é apenas um: se o custo de vida continuar a piorar, os juros básicos (Selic) vão subir.


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