Governo lança alternativa para driblar falta de médicos no DF



Um sistema desenvolvido pelo Hospital do Coração (Hcor) de São Paulo deve auxiliar o acompanhamento dos pacientes com problemas cardíacos no DF. O programa  Telemedicina, lançado pelo GDF, pode acelerar o resultado de análises cardiológicas de eletro, holter e Mapa, realizadas na rede pública de saúde.  A iniciativa é uma tentativa de driblar a carência de cardiologistas no DF. A manutenção, equipamentos e auxílio médico para o novo sistema terão investimentos mensais de R$ 1,2 milhão. O período para que os laudos fiquem prontos é de até 24 horas. A expectativa, aponta o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, é de que em seis meses a fila de espera seja extinta, aumentando em 150% a realização de exames mensais, passando de 8 mil para 20 mil procedimentos.   Apenas para o eletrocardiograma, são 20 mil pacientes na fila atualmente. ... O programa funciona da seguinte maneira: o médico faz os exames  com ajuda de um pequeno aparelho de teleimagem. Imediatamente, as informações são repassadas para o Hcor, que dispõe de uma equipe especializada em cardiologia. Depois de avaliar, os clínicos de São Paulo devolvem os resultados em cinco minutos.  De frente ao laudo, o clínico dá um diagnóstico para o paciente. Se for cardiopata, será encaminhado para o cardiologista.

TRIAGEM
“Com esse avanço, nossa proposta é diminuir o fluxo nos hospitais e fazer a triagem, ainda na consulta ao clínico geral, de quem são os cardiopatas”, disse o governador Agnelo Queiroz. Para ele, é impossível ter um cardiologista em cada unidade de saúde. Portanto, o esforço é para que todos os pacientes possam ter acesso ao resultado dos exames, mesmo sem especialistas em doenças do coração em todas as regiões.
 Desinteresse dos profissionais
De acordo com a Secretaria de Saúde, faltam cardiologistas na rede pública. No último concurso temporário, com salário de quase R$ 10 mil, por exemplo, das 60 vagas apenas seis profissionais tomaram posse. A previsão é de que o convênio da Telemedicina resolva o problema. A pasta afirma ainda que a capacitação de profissionais para utilizarem os aparelhos ocorre desde fevereiro. Aproximadamente 70 unidades de saúde já estão trabalhando com a teleimagem.
Caso o profissional que receba o laudo de São Paulo tenha dúvida, poderá analisar com um dos responsáveis do Hcor por meio da internet, durante 24 horas. “A Telemedicina é um anseio do DF há muito tempo”, ressaltou o secretário Rafael Barbosa. Para ele, os diagnósticos cardiológicos são cada vez mais essenciais, uma vez que para a realização de diversas cirurgias, são necessários os resultados do eletrocardiograma.
O trabalhador autônomo Antônio Coube, 50 anos, esperou 14 meses para conseguir uma consulta cardiológica. Ele ainda guarda a data do pedido: dia 12 de janeiro do ano passado. Para ele, a espera é um desrespeito com a população. “Não me deram nenhuma previsão. A secretaria apenas me informou que a fila era imensa”, conta.
DESILUSÃOAgora, depois de se consultar com o médico especialista, foram pedidos seis exames. Desiludido, Antônio ressalta: “Começa uma outra história”. Ninguém informou o paciente sobre a Telemedicina. Para ele, seus diagnósticos devem ser realizados por meio de agendamento, com muita espera. “Quando tem uma brecha, ligam para nós e avisam a data”, diz. O trabalhador acredita ainda que o problema da demora acontece devido à defasagem de profissionais capacitados na rede pública do DF.

Por Carla Rodrigues

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