Exemplo para a vida toda no Paranoá.
Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br
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“É impressionante como ele tinha uma visão muito revolucionária de educação pela arte”, relembra-se Luciana Holanda, de 44 anos. Hoje pedagoga, ela teve aulas com Nelsinho da quinta à oitava série e garante ter sido marcante. “Uma vez fizemos um musical que tratava de racismo, e o assunto nem estava em evidência. Ele também falava de coleta seletiva, reciclagem”, relata.
Nelson morreu em 2011 aos 63 anos, vítima de câncer, em Búzios (RJ). Era natural de Santos (SP), e chegou a Brasília após passar em um concurso da Fundação Educacional, em 1982. Ele se mudou para o Rio no fim dos anos 1990 para abrir um restaurante e viver tranquilamente. Alguns estudantes mantiveram contato e espalharam vídeos pela internet com lições do professor.
Parte da história
Um grupo em rede social com mais de cem pessoas quer que o CEF 1 do Paranoá seja conhecido pelo nome de Nelson Ramos Filho. “Ele não foi um simples professor. Foi parte da luta pela fixação do Paranoá como região administrativa”, justifica a ex-aluna Luciana.
E, de fato, se Nelsinho tivesse sido apenas um professor bondoso para um punhado de estudantes, seria até estranho criar uma comoção para cravar seu nome na história da comunidade. O diferencial foi a maneira como ele fez crianças e adolescentes pensarem de forma cidadã. Uma de suas iniciativas marcantes foi o “Alô, Alô, Paranoá”, peça montada baseada nas conversas de telefone da comunidade.
Nelson instruiu seus alunos que passassem o dia anotando o que era dito em relação a problemas da cidade no único orelhão do Paranoá. Com o que foi coletado, eles fizeram a peça expondo as mazelas. Essas e outras ações, sempre de cunho reivindicatório, misturavam arte, educação e crítica social.
Alicerce
O Paranoá foi oficializado como região administrativa em 1964, mas só teve sua área delimitada e seu assentamento definido em 25 de outubro de 1989. Para os ex-alunos, a atuação do professor Nelson na educação da cidade foi um dos alicerces do processo de composição do atual Paranoá.
Nelson chegou a ter um restaurante na beira do Lago Paranoá chamado Quintal, no Lago Norte. Ele tocou o negócio até 1997, quando se mudou para Búzios, no Rio de Janeiro, e continuou o “Quintal” na
Problemas sociais nas aulas
A escola que Nelson trabalhou não existe mais. Hoje, o CEF 1 é um dos legados deixados pela antiga construção onde atualmente está o parque vivencial do Paranoá, à época denominado de Vila. Um dos atuais professores, no entanto, se recorda de uma situação curiosa protagonizada pelo antigo instrutor de Artes.
“Em 1983 eu vim ao Paranoá comprar galinhas e, no meio do caminho, vi que tinha uma comoção muito grande na cidade”, relata Álvaro Batista. “Muita gente assistia e os atores tinham todos latas de água na cabeça, inclusive acho que esse era o nome do teatro”, relembra. A peça em questão era mais uma iniciativa de Nelson, dessa vez para falar sobre a falta de água.
“A peça colocava as questões existenciais dos moradores. Naquela época, era difícil ver comunidades se manifestando assim. Aquilo chamou muito a minha atenção”, revela.
O atual diretor do CEF 01, João Braga, apoia a iniciativa de mudar o nome da escola e garante que a discussão já existe, mas afirma não ser algo tão simples. “Minha esposa foi aluna do professor e eu o vejo como alguém à frente de seu tempo. Mas é preciso que todos aceitem a proposta”, diz.
Ele considera que uma alternativa seria mudar para CEF 01 Nelson Ramos Filho.
Versão Oficial
De acordo com a Subsecretaria de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional (Suplav) da Secretaria de Educação, a mudança de nomenclatura de escolas é viável, desde que o motivo seja plausível. “Não recebemos demanda da comunidade do Paranoá, ainda. Assim que recebermos, a Secretaria de Educação analisará as justificativas apresentadas”, informou a assessoria da pasta.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasíl
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