Ratinho foi o homem do dinheiro para prefeitos.
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Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Ratinho foi o homem do dinheiro para prefeitos
Passagem pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano vira trunfo eleitoral para político do PSC, que deve disputar vaga de deputado estadual ou federal
Publicado em 07/04/2014 | ROGERIO WALDRIGUES GALINDO
O posto foi estratégico para Ratinho. Deputado federal em segundo mandato, depois de uma passagem pela Assembleia Legislativa, ele não nega que tem sonhos mais altos. Confirma o que disse no dia de sua primeira eleição, em 2002: quer chegar a governador do estado. Sua desincompatibilização, nesta sexta-feira, é para sair de novo candidato a deputado. Por seu gosto, será deputado estadual. “Para ficar mais tempo em Curitiba”. Pelo partido, que precisa de bancada para ter tempo de tevê e acesso ao fundo partidário, continua deputado federal. A decisão ainda não está tomada.
Gestão em números
Confira o desempenho de Ratinho Jr. à frente da Secretaria do Desenvolvimento Urbano do Paraná (Sedu) durante 13 meses:
Total de repasses: R$ 633 milhões
Financiamentos: R$ 445 milhões
Asfalto: 940 quilômetros
Edifício construídos: 119
Máquinas agrícolas: 233
Grupo de Richa
Disputa com “cuecas de seda” está ultrapassada, diz deputado
Durante a campanha de 2010, quando foi candidato a prefeito de Curitiba pelo PSC, Ratinho Jr. teve atritos com o grupo de Beto Richa (PSDB), que na época apoiava o projeto de reeleição de Luciano Ducci (PSB). De um lado, a campanha de Ducci tirava sarro de Ratinho com comerciais em que um comandante chamado “Junior”, inexperiente, não conseguia fazer o avião decolar. A resposta veio com o pai do deputado, o apresentador Ratinho, chamando o pessoal de Richa e Ducci de “cuecas de seda” durante um comício.
Hoje, após um ano no governo Richa, Ratinho diz que isso está “superado”. Afirma, inclusive, que sua passagem pela secretaria ajudou a “melhorar o currículo” e a reduzir as críticas pela inexperiência. “Isso é do momento da eleição. E meu opositor nunca foi o governador, era o Luciano Ducci”, diz ele. Sobre o outro oponente, o atual prefeito Gustavo Fruet (PDT), também diz não guardar mágoas. Mas é duro nas críticas à sua gestão. Segundo Ratinho, Fruet não conseguiu apresentar “nada de positivo” em 15 meses de governo. Estaria apenas gerenciando crises. “Nunca em tempo recente houve três greves de funcionários municipais em uma mesma semana”, diz. Ratinho não antecipa se será candidato contra Fruet em 2016.
No cargo, Ratinho, que nunca tinha passado pelo Executivo, teve contato direto com prefeitos e deputados. Às terças e quartas-feiras, uma romaria de políticos se reunia no segundo andar do edifício Caetano Munhoz da Rocha, no Centro Cívico, atrás de dinheiro para obras. Embora isso certamente tenha se transformado em um possível trunfo eleitoral, Ratinho nega que Richa tenha escolhido o cargo para cacifá-lo a vice-governador ou a possível sucessor da atual gestão. “Nunca conversamos sobre isso”, diz. E se Beto o chamasse para vice? “Perguntaria por que seria vice. Qual o motivo? Qual a estratégia?”, diz, sem responder se aceitaria.
Menos burocracia
Ratinho diz que sua função primordial à frente da secretaria foi reduzir a burocracia. Segundo ele, o prazo para aprovação dos empréstimos, que passam todos por Brasília, caiu de vários meses para 23 dias. “Somos concorrentes do governo federal. O prefeito, para tomar dinheiro emprestado conosco, quer discutir prazo e juros. Tentamos melhorar isso”, diz. As prefeituras emprestaram dinheiro de acordo com uma tabela que tem a ver com a condição de pagamento de cada uma. As menores cidades tinham direito a juro zero.
As menores prefeituras também foram alvo de outro tipo de trabalho da secretaria, diz Ratinho. Muitas vezes, segundo o secretário, as prefeituras têm planos para o supérfluo e se esquecem do essencial. Algumas cidades foram orientadas a esquecer obras menos importantes, como portais comemorativos, e a pegar dinheiro para asfalto. Em outros casos, o problema é a falta de pessoal. Sem condições de ter um contador, a cidade contrata alguém para fazer os serviços e corre o risco de ser enganada. “Já teve caso de prefeito que achava que o processo estava correndo aqui e o contador não tinha mandado um único documento”, diz.
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