PF faz leilão de carros e computadores

Na próxima quarta feira, 21, um lote de 56 veículos, entre modelos Nissan e Renault, estará à disposição; nesta segunda feira, visitação no depósito da PF
por Fausto Macedo
A Polícia Federal em São Paulo abre seu depósito nesta segunda-feira, 19, às 9 horas, para visitação de veículos e materiais de uso administrativo de seu acervo, itens que serão leiloados na quarta, 21.
Entre os modelos leiloados há Nissan Frontier, Renault Mégane e uma scooter Aprilla, importada. São carros que foram usados como viaturas.
É a primeira vez que a PF em São Paulo faz leilão de veículos oficiais e materiais de seu patrimônio. Os carros e equipamentos ficarão expostos aos interessados somente durante os dias 19 e 20. Já na quarta-feira, 21, ocorrerá o primeiro leilão da PF do Estado de São Paulo com 67 lotes, sendo 56 veículos, e lances mínimos variando de R$ 900 a R$ 10 mil.
Veículos da PF estarão à disposição no leilão. Foto: Divulgação
Também serão leiloados materiais de uso administrativo da PF como computadores, monitores, mobiliário e aparelhos de ar-condicionado, com lances mínimos a partir de R$ 100.
O edital com todas as informações e arquivo com fotografias dos produtos encontram-se à disposição do público no link “leilões” do site da PF  www.dpf.gov.br) ou no endereço http://www.dpf.gov.br/servicos/leiloes/l…
Qualquer cidadão pode participar. Basta levar documento de identidade, CPF e comprovante de residência. No caso de pessoa jurídica, é necessário apresentar o contrato social, CNPJ e identificação do sócio.
VEJA ONDE OCORRERÁ A VISITAÇÃO E ONDE SERÁ REALIZADO O LEILÃO
VISITAÇÃO
Visitação pública dos lotes de veículos e materiais:
Dias 19 e 20 de maio de 2014 (segunda e terça-feira), das 9h às 17h
Depósito da Polícia Federal (ao lado da Estação Água Branca)
Av. Santa Marina, 208, Água Branca, São Paulo/SP
LEILÃO
Data e horário do leilão:
Dia 21 de maio de 2014, às 9h
Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro (Pinheirinho)
Av. Abílio Soares, 1300, Ibirapuera, São Paulo/SP
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Troca de mensagens entre Luiz Argôlo e doleiro foi interceptada; suspeita é de que parlamentar recebeu parte de R$ 400 mil de diretor da empreiteira OAS
Fausto Macedo
A Polícia Federal vê indícios de que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) recebeu parte de R$ 400 mil de um diretor da empreiteira OAS. A suspeita surgiu em meio à vigilância sobre a intensa troca de mensagens entre o parlamentar e o doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato – investigação sobre um esquema de lavagem de dinheiro. A interceptação revela que o doleiro encontrou-se no dia 12 de março de 2014 com Mateus Coutinho, diretor financeiro da OAS.
“Falei com Mateus, vai liberar semana que vem. Uma parte dos 400”, disse Youssef ao deputado, identificado “LA”, após a reunião com o executivo. Para a PF, o diálogo mostra que provavelmente ‘LA’ é um dos destinatários da quantia.
Os investigadores não avançaram nessa linha de apuração porque Argôlo tem foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal, para onde foi enviado relatório de 335 páginas com 1.411 mensagens entre o parlamentar e Youssef de 14 de setembro de 2013 a 17 de março de 2014. “Há, aparentemente, registro de negócios comuns, envolvendo construtoras e licitações”, assinala a PF. Argôlo diz que tem “relação duradoura, séria e madura” com Coutinho. O relatório destaca que o executivo esteve na residência de Youssef em São Paulo, à Rua Afonso Braz, Vila Nova Conceição.
A PF diz que “os indícios apontam que ‘LA’ era cliente dos serviços de Youssef, por vezes repassando dinheiro de origem aparentemente ilícita, intermediando contatos em empresas, recebendo pagamentos, inclusive tendo suas atividades operacionais financiadas pelo doleiro”. No escritório do doleiro foi encontrado cartão de apresentação de Coutinho, com o timbre da empresa. A PF sugere que o executivo teria feito “um acordo” com Argôlo para que este assumisse o cargo de primeiro-vice-líder do Solidariedade na Câmara, “encaminhando projetos em prol do governo e do Palácio do Planalto”. Youssef gostou. “Bom acordo.”
A sequência de torpedos revela que o deputado pressiona insistentemente o doleiro por dinheiro. No dia 10 de outubro de 2013, às 13h57, “LA” cobra um pagamento de Youssef. “N queria falar, mas o pessoal tá me cobrando a diferença. Será q vc pode resolver? Eles estão almoçando comigo agora aqui em casa.” Às 19h52, o deputado pergunta a Youssef se ele tem como marcar um almoço com Coutinho. O doleiro responde. “Sim ele está vindo aqui amanhã cedo e já combino.”
‘R$ 250 serve’. Às 15h32 do dia 12 de outubro, o deputado diz a Youssef. “Tem q orar pra Nossa Senhora hj.” O doleiro diz a Argôlo que o executivo “gosta muito dele e o respeita como profissional”. O deputado completa. “Relação sólida isso eh muito bom. Vc acha q ele ficou satisfeito? Vamos pavimentando essa relação.” O doleiro diz: “Achei que gostou muito tem que construir agenda positiva pouco a pouco. Na boa você não pediu nada ele deu livre. Importante”.
Dia 12 de março – cinco dias antes de ser preso pela Lava Jato –, Youssef avisou o deputado que estava no escritório do executivo da OAS, em São Paulo, Avenida Angélica. “Tô no Mateus aguardando, ele vai me atender.” O deputado sugere. “250 serve.” À noite, Youssef: “Falei com o Mateus, vai liberar semana que vem uma parte dos 400”.
A OAS e Coutinho não se manifestaram à reportagem. O deputado, por sua assessoria de imprensa, disse que não teve acesso ao relatório, “portanto não teria como nem o que responder”.

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