Ronaldo se diz 'envergonhado' com preparação do Brasil para a Copa

Tatiana Ramil e Andrew Downie - Reuters
SÃO PAULO - Membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, o ex-atacante Ronaldo disse se sentir envergonhado com os atrasos e dificuldades do Brasil nos preparativos para o torneio, mas defendeu que o Mundial não seja alvo de protestos e culpou os governos pelos problemas.
Ronaldo: 'A gente não podia estar passando essa imagem' - Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters
Ronaldo: 'A gente não podia estar passando essa imagem'
Ronaldo acredita que as críticas feitas pela Fifa ao País por não ter cumprido prazos são justas, já que concordou com todas as exigências da entidade quando aceitou ser sede da competição, em 2007.
"E de repente chega aqui é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo e a gente não podia estar passando essa imagem para fora", afirmou o ex-jogador em entrevista à Reuters na sede de sua agência de comunicação, em São Paulo, nesta sexta-feira.
"Os estádios, de uma maneira ou outra, vão estar prontos. Agora, o legado que fica para a população mesmo - as obras de infraestrutura, de mobilidade urbana, aeroportos - é uma pena que tenham atrasado tanto", acrescentou.
Os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo, que será disputada de 12 de junho a 13 de julho, têm sido problemáticos. Apenas dois dos 12 estádios ficaram prontos no prazo determinado pela Fifa, enquanto muitas obras em aeroportos e de mobilidade urbana atrasaram e outras foram abandonadas.
"Perdemos muito tempo. Os governos deveriam ter feito as coisas muito antes", disse Ronaldo, afirmando em seguida que o Mundial, ao menos, proporcionou mudanças em cidades brasileiras e citou Cuiabá, uma das 12 sedes de jogos da competição.
"Vi cidades com muitas obras. Quem sabe quantas obras assim seriam feitas em Cuiabá se não fosse a Copa do Mundo? A Copa do Mundo é uma ferramenta que trouxe uma série de investimentos para o nosso país. Poderia ter sido perfeito, se fizessem tudo o que prometeram, mas isso não tem a ver com Copa do Mundo, tem a ver com os governos que prometeram e não cumpriram", acrescentou.
Segundo o ex-atacante, que foi duas vezes campeão mundial com o Brasil (1994 e 2002) e é o maior artilheiro de todas as Copas, com 15 gols em quatro participações no torneio, os investimentos com o Mundial não deveriam ser alvos de protestos.
Na Copa das Confederações de 2013, houve manifestações perto dos estádios com um grande número de pessoas que cobravam mais investimentos na saúde, educação e segurança e reclamavam do dinheiro gasto em eventos esportivos. Os protestos persistem neste ano e devem ocorrer durante a Copa.

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