Candidatos tentam e persistem no pleito ao eleitorado

Sem sucessão de derrotas desestimula a insistência em candidaturas
Carla Rodrigues

Eles não desistem. Mesmo já tendo provado o gosto amargo da derrota, de quatro em quatro anos candidatos do Distrito Federal  participam das eleições como se fosse a primeira vez. Uma, duas, três vezes: há até quem esteja na quarta tentativa. Obstinados, afirmam que permanecem no pleito para dar opções ao eleitorado e, assim, renovar a Assembleia Legislativa e fazer mais pela população.
 “Evandro Machado era o candidato que eu apoiava, mas desistiu. Por isso decidi tentar novamente. Quero fazer o diferencial na Câmara. Quero tentar fazer com que o dinheiro público chegue a quem precisa”, diz o sindicalista Cícero Rôla,  do PT, registrado pela quarta vez. 
 O problema, avalia, é que a disputa é mais difícil para campanhas com menor sustentação financeira.  “É muito complicado disputar com grandes empresários. Minha campanha é simples. E isso pode ser um entrave. Mas, mesmo assim, não vou desistir. Continuo na luta”. 

Querem ser novidade
Assim como Cícero, Charles Guerreiro, do PSB, também volta à disputa deste ano. A justificativa, aliás, é bem parecida com a do petista. “Busco uma sociedade melhor. Por isso estou tentando me eleger. Quero me apresentar como uma alternativa frente a candidaturas falidas que não trazem nenhuma novidade”, alfineta. 
Sua campanha, diz, também é simples e tem apoio econômico bem menor do que a de rivais. “É bem humilde. Infelizmente, não tenho o mesmo dinheiro que outros candidatos”, afirma. 
 É só comparar as listas dos postulantes de 2010 e a atual que outro nome aparece novamente: Toninho Maratonista Hop Hop (PV), que segundo ele, significa “energia positiva, vida, movimento”. “O importante para mim não é ganhar. Mesmo se não vencer, tento de novo só para participar e mostrar às pessoas importância de cuidar da natureza”, afirma ainda. 
Para o candidato, que tem um discurso bastante “diferente”, as pessoas devem treinar o desapego ao luxo. 
Eu fui eleita. Não consegui assumir a cadeira só por causa do quociente eleitoral”, ressalta a candidata a distrital Maninha, do PSOL, referindo-se à eleição de 2010, na qual tentou a mesma vaga. Ela diz isso antes mesmo de responder a qualquer outra pergunta. 
 Em 2006, a candidata já havia tentado o cargo de deputada federal. Antes disso, fora deputada distrital e federal pelo PT. Ao deixou o partido pelo PSOL começou o problema do quociente, nível de votos que a legenda precisa superar.  
“Não desisto por ideologia. Quero participar da vida política da cidade e do Brasil. Queremos ter espaço para poder dar as nossas ideias e ter voz na política do DF”, diz Maninha, que já foi secretária de Saúde. 

Eles têm suas razões
Entender o porquê dessas pessoas não desistirem das eleições é impossível. É a avaliação do especialista políticas públicas, Merson Masullo, da Universidade de Brasília. Para ele, “é preciso avaliar caso a caso e entrar no íntimo de cada candidato”. 
 “Teríamos que ver quem são esses candidatos. Quais suas propostas. Provavelmente, entre eles, existe  quem realmente acredite numa mudança. Mas, há também aqueles que querem apenas uma vaga na Câmara. Há ainda os puxadores de voto que, mesmo nunca se elegendo, atraem votos para o partido”, diz Masullo.  
Saiba Mais
Outro antigo candidato do DF é Toninho Andrade, do PSOL. Ele participou das  eleições de 2006 e 2010, e agora tenta de novo conquistar o cargo de governador. No último pleito, chegou ao terceiro lugar, com quase 200 mil votos válidos. 
Assim como ele, o candidato do PV  a  deputado federal Eduardo Brandão é figura antiga no pleito do DF.  Em 2010, também disputou  o Buriti. 
De acordo com os candidatos obstinados, eles não priorizam conquistar mandatos, mas apresentar propostas. Por isso,  apesar do  insucesso nas urnas,  se sentem vitoriosos por participar do pleito. 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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