Ministro da Saúde fala sobre o primeiro caso suspeito de ebola no Brasil


Paciente já está no Rio de Janeiro para tratamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. Resultado do exame saí em 24h
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, fez um pronunciamento na manhã desta sexta-feira (10) a respeito da primeiro caso suspeito de ebola no Brasil. O resultado do exame para confirmar a doença, realizado em para Belém (PA), deve sair em 24h.
O homem, de 46 anos, vindo da Guiné (com escala em Marrocos), chegou ao Brasil no dia 19 de setembro. Ele deu entrada na UPA de Cascavel, no Paraná, com febre, tosse e dor de garganta. O quadro começou 20 dias (período de incubação do vírus) após a sua saída do país, que apresenta o surto da doença.
Mais de 60 pessoas entraram em contato com o paciente e todas já estão sendo monitoradas por especialistas do ministério. Os contatos foram de baixo risco, mas os contactantes serão examinados duas vezes por dias durante o período de incubação do vírus (21 dias).
Procedimentos
O Ministério da Saúde foi notificado do caso e deu início ao procedimento de contenção. Todas as equipes foram acionadas e o paciente transportado para o Rio de Janeiro, onde segue internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, que funciona dentro do Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos, referência nacional para casos de ebola.
Ele relatou que nos dois últimos dias teve febre. Até o início da noite de ontem (9), estava febril e não apresentava hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas. Está em bom estado geral e é mantido em isolamento total.
Por estar no 21º dia, limite máximo para o período de incubação da doença, foi considerado caso suspeito, seguindo os protocolos internacionais. A Guiné é um dos três países que concentram o surto da doença na África. O ebola só é transmitido por meio do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. O vírus é transmitido quando surgem os sintomas.
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Saiba mais sobre o vírus Ebola
Descoberto nos anos 70 o vírus Ebola tem sido um tema frequente em discussões e matérias nos últimos dias.  Segundo a Organização Mundial da Saúde, a epidemia do vírus na África já matou 887 pessoas e 1 603 casos foram confirmados até o dia 1º de agosto. O infectologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão Dr. Jorge Garcia Paez explica sobre essa doença altamente mortal.   
A primeira espécie do vírus Ebola foi descoberta em 1976 em dois surtos simultâneos em Nzara no Sudão, e em Yambuku nas proximidades do rio Ebola, na Republica Democrática do Congo. O especialista explica que o vírus é da família filoviridae responsável por causar a febre hemorrágica Ebola, a qual é muitas vezes fatal em humanos e primatas. “Na maioria dos casos a doença se manifesta após um período de contato que varia de 2 a 21 dias, com febre súbita de inicio, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Seguidos de vômito, diarreia, manchas vermelhas pelo corpo, alteração da função renal e hepática, podendo evoluir com sangramentos”, diz o médico.
O especialista explica que a taxa de fatalidade – entre 25 e 90% - ocorre devido ao pouco conhecimento referente à forma como o vírus provoca essa infecção, “Existe a hipótese que a transmissão para humanos aconteceu pelo contato com animais infectados pelo vírus. O que sabemos até o momento é que os pacientes que evoluem para óbito não tem uma resposta adequada do sistema imunológico contra o vírus”.  O contágio pode ocorrer por contato com o sangue e secreções de pacientes infectados, “até objetos contaminados com secreções podem transmitir a doença”, esclarece Dr. Jorge. A recomendação principal é evitar viagens para as áreas onde existe a transmissão do vírus atualmente, preservar-se de contato com pacientes com suspeita de febre hemorrágica e até animais desses locais.
Inicialmente o diagnóstico é clinico e epidemiológico, “Existem outras doenças que podem ter manifestações sintomáticas parecidas com o Ebola, como a malária, febre tifoide, cólera, leptospirose, meningite e outras febres hemorrágicas. A doença é confirmada quando é realizado um teste sorológico para a confirmação da presença do vírus no sangue do paciente”, explica o infectologista.
Não existe um tratamento específico para o Ebola, “Não há uma cura e por enquanto não foi desenvolvida uma vacina para uso clínico. Quando diagnosticado com a doença, o paciente deve ser hidratado adequadamente com reposição de eletrólitos. Em pacientes com estado mais grave o suporte em uma unidade de terapia intensiva são as medidas mais importantes”, finaliza o infectologista do São Cristóvão.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília com agências

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