Hospitais ficam sem refeições para acompanhantes mais uma vez
Bárbara Fragoso
*Especial para o Jornal de Brasília
Cerca de nove mil pessoas, entre acompanhantes de pacientes e funcionários, estão sem receber alimentação em 16 hospitais da rede pública do Distrito Federal e em cinco Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O motivo da suspensão, segundo a empresa Sanoli Indústria e Comércio de Alimentação Ltda., responsável pelo fornecimento das refeições, é a falta do pagamento de R$ 13 milhões por parte do Governo do Distrito Federal (GDF). É a segunda vez que o problema acontece nos últimos dois meses.
O problema também pode atingir 6,2 mil pacientes diariamente, uma vez que o estoque destinado às pessoas hospitalizadas está com os dias contados e deve acabar em menos de uma semana. De acordo com a Sanoli, o débito tem causado dificuldades de repor os estoques de alimentos e efetuar o pagamento de mais de 1,7 mil funcionários.
O líder comunitário Sidney Rodrigues, 42 anos, está com o primo internado há 21 dias no Hospital de Base. “Tenho que gastar dinheiro do meu bolso o tempo todo, porque não tem comida para os acompanhantes”, relata. Segundo ele, as despesas incluem café da manhã, almoço, lanches e jantar. “A marmita de almoço custa R$ 7, além das outras refeições. Fica pesado gastar isso todos os dias”, acrescenta.
“Falta de respeito”
Há dois dias, Rosiane Barbosa, 34 anos, supervisora de proteção de avião, cuida do pai no HBDF. “A situação está complicada. O problema vai além da falta de comidas. Hoje, percebi que houve atraso na refeição do meu pai, que deveria ter sido servida às 11h e só chegou por volta das 13h”, comenta.
A acompanhante conta que a indiferença é traduzida nas horas que passa em pé no hospital, a observar várias negligências “É um desrespeito muito grande com o povo. Não tem ao menos cadeira para eu descansar os pés nem roupa de cama limpa para os pacientes”, complementa.
A Secretaria de Saúde garante que todos os fornecedores serão pagos, inclusive a Sanoli, nas próximas semanas. E que, por circunstâncias contratuais, a empresa deve continuar com os serviços por até 60 dias.
Histórico
No mês de outubro, a Sanoli também suspendeu as refeições por falta de pagamento. A Saúde garantiu, na época, que estava a par da demora nos repasses de agosto e setembro, mas afirmou que os problemas seriam resolvidos. Conforme o contrato, a empresa deveria continuar fazendo as entregas por 90 dias.
Saiba mais
No início de outubro, o Tribunal de Justiça determinou a notificação da Secretaria de Saúde quanto aos procedimentos que deverão ser adotados pela empresa Sanoli.
A notificação judicial estipulou que a continuidade dos serviços depende do imediato pagamento à empresa.
A dívida na época da manifestação do TJDFT era de R$ 14 milhões.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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