Novas legendas vêm à capital para conseguir registro eleitoral

Novas legendas vêm à capital para conseguir registro eleitoral


Daniel Cardozo
daniel.cardozo@jornaldebrasilia.com.br

Quando se fala na criação de um partido, crescem as especulações em torno de políticos com mandato ou parlamentares vistos como insatisfeitos que podem mudar de lado. Nos próximos meses, duas novas legendas, Partido Novo e Rede Sustentabilidade, serão registradas e podem se abrir possibilidades. Com isso, o Brasil terá 34 partidos.
Mas os fundadores do Partido Novo – é esse mesmo o nome – garantem que no seu caso não será assim e que nem conversam com medalhões para possíveis trocas de legenda. Desde já, eles avisam que as filiações serão ideológicas.
De baixo para cima
Sua proposta é fazer uma mobilização de baixo para cima. Ou seja, conquistar primeiro o cidadão comum, para depois ter o respaldo nas urnas. Nesse caso, a janela para a troca de partidos seria, pelo menos teoricamente, possibilidade rejeitada pelos fundadores do Novo.
Em todo o Brasil, o número de assinaturas coletadas já ultrapassou 1 milhão. Somente no Distrito Federal e na Região Metropolitana de Brasília foram mais de 250 mil apoios.  
O presidente do Partido Novo em Brasília, Cláudio Barra, explica que existem fatores que contribuem para que políticos de carreira não tenham interesse em ingressar no projeto. Até mesmo as sondagens - bastante comuns na criação de outros partidos – foram evitadas.
“Ainda não procuramos ninguém. Queremos gente que se enquadre nos nossos ideais, como ter ficha limpa, não procurar um partido apenas para se candidatar. Nosso estatuto evita práticas da velha política, como as reeleições consecutivas no Legislativo”, afirmou.
Atrair novos membros, insatisfeitos com seus partidos é a estratégia para conseguir tempo de televisão e mais dinheiro no Fundo Partidário. Quanto mais representantes no Congresso, maiores as parcelas em ambos os benefícios. “Mas nosso foco não é esse”, garantiu Barra.
A intenção é se diferenciar até nas práticas. Tanto é que o pedido de registro foi feito no Tribunal Superior Eleitoral em julho, quando a campanha para as eleições já estava a todo vapor. Participar de eleições será consequência.
Facebook pesa para ter apoios
De acordo com o líder do Partido Novo no DF, Cláudio Barra, o Novo aposta nas redes sociais como ferramenta para difusão das ideias. No Facebook, quase 700 mil pessoas já curtiram a página da postulante a legenda. A efeito de comparação, o PSDB conta com 1,2 milhão de apoios e o PT tem 900 mil. A divulgação na grande mídia deve ficar em segundo plano.
Rede retomará processo para ter vida oficial
Após ter o registro negado no ano passado, a Rede Sustentabilidade esfriou a tentativa de se oficializar durante o período eleitoral. Agora, após a derrota de Marina Silva nas eleições para presidente, a intenção é retomar o processo no Tribunal Superior Eleitoral e conseguir o registro até março do ano que vem.
A Rede admite que há conversas com possíveis filiados, com ou sem mandato. Segundo João Suender, porta-voz no Distrito Federal, existe a possibilidade de contar já em um primeiro momento com seis deputados federais e um distrital. Mesmo assim, existem critérios para a filiação. “Não é qualquer parlamentar que pode ingressar na Rede”, avisou. Foram estabelecidas restrições, desde o número de mandatos consecutivos — só dois — até às fontes de financiamento. Isso, segundo Suender, ajudaria para que assim que criado o partido, não seja aberta apenas uma janela para a troca de legenda.
Janela para insatisfeitos
Cada partido criado nos últimos anos levou a movimentação  grande, por parlamentares que queriam mudar de legenda sem perderem o mandato por conta da fidelidade institucional. 
Parlamentares do Distrito Federal  não foram exceções nesse processo.
O PSD, fundado em 2011, conseguiu atrair os distritais Washington Mesquita, Liliane Roriz, Eliana Pedrosa e Celina Leão, eleitos por  PSDB, PRTB, DEM  e PMN.
No entanto, nenhum deles continuou na legenda e os destinos finais  foram PTB, PRTB, PPS e PDT.
O PEN atraiu os distritais Alírio Neto, vindo do PPS, Doutor Michel, do PSL, e Israel Batista, eleito pelo PDT, mas apenas o primeiro permanece, como presidente regional do partido.
Saiba Mais
A Rede Sustentabilidade acabou barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral  a um ano das eleições de 2014 e, com isso,  sua inspiradora, a ex-ministra Marina Silva, acabou se filiando no PSB,assim como vários outros fundadores do partido em criação.
Embora o PSB tenha sido o destino favorito de integrantes da Rede, outras legendas, como o PDT, receberam filiações.
No Distrito Federal, ao menos dois parlamentares simpáticos à Rede foram eleitos.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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