Empresa de familiar de Rafael Barbosa tem contrato com governo
Instituto de Doenças Renais, que realiza hemodiálises, seria de parentes de Rafael Barbosa
Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br
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O IDR presta serviços de hemodiálise ao GDF nas regiões de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga e receberia R$ 389 mil por mês para atender 200 pacientes. A Secretaria de Saúde do DF não confirmou o valor, mas assegura que a empresa ainda presta serviços ao governo.
Em uma das clínicas, um atendente confirmou que a clínica “atende pacientes pelo SUS”.
No cadastro do Ministério da Saúde, a então mulher de Rafael - Andrea de Paula Bertolacini Barbosa - aparece como “gerente / administrador” do IDR. A reportagem tentou contato com Andrea, mas ela não foi localizada.
Do cargo à urna
Homem de confiança do ex-governador Agnelo Queiroz, Rafael Barbosa deixou a Secretaria de Saúde do DF para se candidatar a deputado federal. Após filiar-se ao PT, Barbosa protagonizou uma campanha eleitoral cara, conforme apontavam seus próprios colegas de partidos.
Os numerosos cavaletes espalhados por todo o DF denunciavam que o petista contava com robusto orçamento na campanha, apesar de as urnas não terem sido muito generosas com ele: foram apenas 26.399 votos.
As dobradas com deputados distritais de iniciativa do ex-secretário eram as mais caras. E os próprios petistas se revoltaram contra ele, face ao que chamaram de “concorrência desleal” na campanha
Quando a equipe do governador Rodrigo Rollemberg assumiu o Palácio do Buriti, a área da saúde foi apontada como uma das mais críticas do governo. Logo nos primeiros dias da nova gestão, o governador teve que mediar crises, como falta de medicamentos e insumos básicos para atendimento de pacientes na rede pública. A situação encontrada era tão caótica, que foi decretado estado de emergência por seis meses.
Carona na propaganda do GDF
O Instituto de Doenças Renais ganhava destaque até no material de divulgação do Governo do Distrito Federal. Em um dos textos distribuídos à imprensa, por meio da Agência Brasília, em setembro de 2014, a Secretaria de Saúde destacava a boa saúde de um paciente que fazia hemodiálise na clínica.
No texto intitulado “DF é o novo líder nacional em transplantes de rim”, o homem de 29 anos diz que fazia hemodiálise três vezes por semana no Instituto. "Minha pressão disparava cada vez que eu via a agulha da hemodiálise", disse o paciente à equipe do governo, que fez questão de destacar a empresa da família do então secretário de Saúde, Rafael Barbosa, na divulgação institucional.
“Fora de área”
O ex-secretário de Saúde foi no procurado pela reportagem para comentar o assunto, mas seu celular estava “fora de área”.
Contrato cancelado por atraso
Na edição de ontem, o Jornal de Brasília mostrou que indícios de superfaturamento frustraram a compra de um equipamento moderno para fisioterapia, no fim de 2013. Depois das denúncias, a Secretaria de Saúde anunciara o cancelamento do contrato. Ocorre que, segundo a atual gestão da pasta, o cancelamento só ocorreu realmente em julho de 2014.
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o “contrato de aquisição do aparelho exoesqueleto robótico, utilizado para fins fisioterapêuticos, foi rescindido em 15 de julho de 2014”. E o motivo oficial, segundo informações da pasta, está longe de ser o superfaturamento - o GDF pretendia comprar o equipamento, que custaria cerca de R$ 1 milhão no mercado, por R$ 4,5 milhões. O que motivou a rescisão do contrato foi “descumprimento das propostas contratuais – atraso na entrega do produto”.
À época, a secretaria informou que contraria uma empresa para a prestação dos serviços ao GDF. A atual gestão diz que “ não há oferta deste serviço na rede pública de saúde do DF, nem qualquer tipo de contrato de prestação de serviço com a empresa BioAlpha”.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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