Silvio de Assis: O lobista que sangra os cofres do GDF

A presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão com Silvio de Assis e o governador do DF, Rodrigo Rollemberg.

O governador eleito de Brasília Rodrigo Rollemberg (PSB/DF) e a presidente da Câmara Distrital deputada Celina Leão (PDT/DF) começaram a mostrar sinais do quanto custou para Rollemberg derrotar o ex-governador petista Agnelo Queiroz e Jofran Frejat, braço do ex-governador, José Roberto Arruda.

Rodrigo Rollemberg, Celina Leão e Antônio Reguffe foram atraídos para uma armadilha conhecida pelos velhos políticos que já governaram esta capital. No bairro nobre de Brasília, Lago Sul, vizinho à maior grife de roupas e acessórios da capital, a Magrella, frequentada pela nata da corte, o lobista Silvio de Assis, se instalou num escritório ocupando quatro salas, para impor uma estrutura capaz de convencer leigos e profissionais a chancelar um falso perfil.

No escritório, os convidados eram recebidos por garçons de luvas brancas, com bebidas de rótulos marcantes e contatos de acompanhantes de alto luxo, para saldar os “negócios” ali realizados. Assis é considerado um homem de grande habilidade e se apresenta como afilhado de políticos de renome e caciques de vários partidos, como o ex-presidente José Sarney.

O lobista, que se diz empresário “operador no mercado financeiro”, deixou o Amapá, Estado que já era pequeno pelos seus envolvimentos com crime organizado. Assis teve de sair de lá às pressas, depois de ter sido preso por sonegação fiscal. Antes da fuga, porém, já havia sobrevivido a um ajuste de contas em Macapá, onde recebeu seis tiros à queima-roupa, fazendo jus à lenda de que o gato tem sete vidas.

Denunciado no Amapá por enriquecimento ilícito associado ao tráfico de drogas, Assis fez-se fotografar ao lado do então deputado federal Magno Malta (ES), presidente da CPI do Narcotráfico, e usou a foto em outdoor em Macapá, onde registrava, em letras garrafais: “Quem não deve, não teme”. Acabou indiciado pela CPI do Narcotráfico e preso.

Silvio de Assis também foi apontado pela imprensa como um dos financiadores de passagens aéreas usadas por Vavá, irmão do ex-presidente Lula. Vavá foi denunciado na CPI dos Bingos por envolvimento com o jogo clandestino, e Assis tentou fazer do irmão de Lula alguns degraus na tentativa de ganhar poder e prestígio. Silvio de Assis, reconhecido como “empresário” do Distrito Federal, também usa o poder da igreja evangélica para conquistar aliados políticos, a fim de realizar interesses comerciais e empresariais. Dono de jornal durante muito tempo no Amapá, Silvio sempre fez questão de demonstrar poder e influência junto a autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário amapaenses e até do Exército, do qual recebeu várias homenagens. Suas badaladas festas, na mansão que construiu no bairro Alvorada, em Macapá, se tornaram famosas. Os poderosos participavam, e Assis teria filmado vários deles. Hoje, a mansão está abandonada. Foi sequestrada pela Justiça Federal.

O mesmo modus operandi Assis usou ao chegar a Capital de República. No governo petista de Agnelo Queiroz, recebia como convidado de honra, em sua mansão no Lago Sul, o ex-secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa, frequentador assíduo do escritório do lobista, além de outros secretários e do alto escalão do GDF.

Considerado amigo fiel do governador Rodrigo Rollemberg e da presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, Assis captou, de empresários e fornecedores do governo petista de Agnelo Queiroz, recursos para a campanha de 2014, dizendo-se ele o doador. Agora começa a chegar a fatura.

Silvio de Assis

Na sua mansão, Assis convocou auditores do Detran e o seu diretor geral, Jayme Amorim de Sousa, e comunicou ser o “dono” da autarquia, falando em nome do governador Rodrigo Rollemberg e da presidente da Câmara Distrital, Celina Leão. Assis não parou por aí. Convocou os empresários fornecedores de serviços na autarquia e estipulou um valor a ser alcançado como meta mensal, para bancar uma estrutura de comunicação que acaba de lançar em Brasília. O site Fatoonline, em sua inauguração, teve como convidados personalidades ilustres como, Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo, Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT, Aécio Neves e do próprio governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

Assis também figura como investidor na área de jogos de azar, relembrando a ligação com o irmão do ex-presidente Lula, Genival Inácio da Silva, fisgado na CPI dos Bingos. Recentemente foi flagrado pela Polícia Federal na operação Miquéias, na qual as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelam sua parceria com o doleiro Fayed Traboulse.

O lobista coordenava um esquema junto ao doleiro, em que usava mulheres selecionadas para atrair os prefeitos e governadores que detinham a chave do cofre do fundo de previdência dos trabalhadores nos estados e municípios. As mulheres foram apelidadas de “pastinhas”, pela delegada da Polícia Federal responsável pelo caso. O convencimento das “moças” gerava fortuna para o doleiro e o lobista Silvio de Assis.

Grampo da conversa entre Silvio de Assis e a pastinha Alline

Nas escutas interceptadas pela PF, Silvio de Assis aparece conversando com a pastinha Alline Teixeira Olivier sobre o valor de fundos a serem captados nos estados do Amazonas e Para. Durante as escutas foi revelado o valor de R$ 980 milhões no fundo do Amazonas. A sócia de Alline, que também trabalhava para Silvio de Assis na captação dos fundos, chama-se Cláudia Maria Maldonado, mulher do proprietário do Uniceub em Brasília, Getúlio Lopes.

A pastinha Alline chegou a se hospedar na casa do ex-presidente José Sarney em São Luís, capital maranhense. Assis faz questão de ostentar tráfico de influência. O que chama a atenção é que o lobista, com tantas comendas, algumas públicas, consegue manipular políticos para tirar proveito e alimentar os golpes.

Hoje comandando o Detran em Brasília, Assis tenta abocanhar a área de transporte público do Distrito Federal com ajuda do bicheiro Carlos de Almeida Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira. Vale lembrar que no governo petista de Agnelo Queiroz, Cachoeira foi flagrado na tentativa de comandar o esquema de bilhetagem dos transportes.

Silvio de Assis prometeu a um grupo de transporte coletivo de Goiás que vai conseguir algumas linhas estratégicas ainda no governo de Rodrigo Rollemberg. No que depender de prestígio junto as autoridades do GDF, o lobista continuará dando as cartas nos pontos estratégicos.fonte Quid nov

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