Lixão a céu aberto em Planaltina
Raphael Costa
raphael.costa@jornaldebrasilia.com.br
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Duas grandes montanhas de lixo são motivo de incômodo aos moradores da Quadra H, na Vila Nossa Senhora de Fátima. O estudante Airam Bento, 20 anos, conta que o problema é antigo. “Faz anos que há esse lixo acumulado aí. A administração vem, tira tudo, mas no dia seguinte já voltam a jogar as coisas aí”, relata. “A maioria é morador, mas também vêm carroceiros. Em pouco tempo é possível ver essas ações”, completa.
“Enxugando gelo”
O relato do estudante é reforçado pelo colega Lucas Rodrigues de Souza, também estudante de 20 anos. “A última vez que vieram retirar o lixo foi há uns dois meses. Porém, de que adianta? No dia seguinte, já volta a acumular tudo de novo. É como se eles estivessem enxugando gelo”, compara.
Preocupado, Lucas enumera algumas das consequências pelo acúmulo de entulho: “Junta muito inseto, além de causar um cheiro horrível. É um perigo, pois, com tantos casos de dengue, ficamos preocupados”.
A preocupação de Lucas tem fundamento. Apesar de uma queda de 26% nos casos de dengue em relação ao ano passado, Planaltina lidera os casos da doença no DF. Segundo o Informativo Epidemiológico de Dengue, da Secretaria de Saúde, até 27 de abril, foram registrados 594 casos. Lucas teve dengue no ano passado, e familiares de Airam foram diagnosticados neste ano. “Você até pode fazer a sua parte, mas não tem como conscientizar os outros”, diz Airan.
Mau uso, drogas e insegurança
Além de mosquitos e do mau cheiro, o local traz preocupação em relação à segurança. Estudantes de gestão de agronegócio da UnB, Stefany Gabriela, Bianca Barros e Franciely Almeida, todas de 21 anos, afirmam que só passam pelo local em grupo. “Agora vamos até a parada de ônibus juntas, pois temos receio”, conta Stefany.
Estudantes do período da tarde, elas afirmam que, ao entardecer, o espaço atrai usuários de drogas. “A rua é até iluminada, mas, com o tanto de lixo, eles se escondem tranquilamente. Não dá para ver. É perigoso”, alerta Bianca. As três relatam que colegas já foram assaltados na região.
Para o promotor de eventos Fernandes de Macedo, 31 anos, o problema pode ser explicado. “Além de a população não ter orientação e educação, não há local adequado para fazer o despejo do lixo. O espaço também é mal utilizado. Acredito que poderiam fazer outra coisa para inibir esse comportamento”, argumenta.
Ele acrescenta que é necessária a aplicação de multas. “É a maneira mais eficiente de se criar consciência”, conclui.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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