Pragmatismo, religião e fé
Édison Difante
Professor da Área de Ética e Conhecimento
A palavra pragmatismo é derivada do termo prágma, que na língua grega tem mais de um significado. Entre as diferentes significações, pode-se destacar “coisa”, “fato”, “assunto”, “artigo” e até mesmo “mercadoria”. Daí, o adjetivo pragmático como “autêntico”, “real” e “verdadeiro”. Logo, pragmatismo, em termos filosóficos, condiz com “realismo”. Por outro lado, pragmatismo compartilha a mesma origem etimológica de práxis, enquanto “ato”, “ação” e também “fato”. Nesse sentido, o pragmatismo é a doutrina filosófica que se baseia na verdade do valor prático.O pragmatismo foi introduzido na filosofia por Charles Peirce como princípio aplicável aos casos concretos. Willian James deu uma nova aplicação ao termo: na religião. Na obra Pragmatismo James define o método pragmático. Segundo ele, um método destinado a assentar disputas metafísicas, as quais, de outro modo, estender-se-iam interminavelmente. Nesses casos, pois, deve-se tentar mostrar alguma diferença que necessariamente prove que uma das partes tem mais razão ou é mais correta, de modo que é necessário recorrer aos efeitos concebíveis na natureza prática. Os efeitos são positivos no que se refere aos casos concretos.O pragmatismo não se identifica com dogmas ou doutrinas, nem visa resultados particulares. Para James é somente um método, uma atitude de orientação que visa às consequências. Por precisar de fatos concretos, ele distancia-se do racionalismo, buscando tratar daquilo que é útil ou satisfatório, operando com a concretude factual, buscando generalizações. Por outro lado, por mais que o pragmatismo se identifique com o factual não é materialismo. Nessa medida, ele não tem objeção alguma às abstrações, mas somente na medida em as mesmas possam auxiliar no que concerne aos fatos concretos e, nem poderia ter preconceito para com a teologia. “Se as ideias teológicas provam que têm valor para a vida concreta, o pragmatismo as aceita, no sentido de serem boas para tal. O quanto serão verdadeiras dependerá de suas relações com as demais verdades, que também devem ser reconhecidas”.Para o homem, o maior inimigo da verdade são as outras verdades das quais ele também é possuidor. Cada uma delas, de certo modo, tende busca auto-preservar-se e extinguir tudo que a contraria. Por exemplo, a crença em Deus, por mais conforto que possa proporcionar, está em constante desafio com outras convicções, em um mesmo sujeito. O pragmatismo, pois, opera como um conciliador de verdades, como mediador de teorias próprias. Ele não traz consigo preconceito, dogma ou cânone; é completamente maleável. Segue-se, que é no campo religioso que ele encontra grande espaço. Ele alarga o campo da busca por Deus tomando a lógica, os sentidos e as experiências pessoais. Nesse sentido, pela sua própria definição, o pragmatismo jamais poderia negar a existência de Deus. Segundo tal teoria, especialmente na versão de James, não haveria sentido em tratar como não verdadeira uma noção tão bem sucedida ‘pragmaticamente’ no decorrer da história humana, ou seja, algo que sempre serviu de apoio, conforto e esperança ao homem concreto. |
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