CIDADES; Passagens de ônibus devem subir em setembro
Empresas pressionam para cobrir o custo do reajuste de 10% concedido aos rodoviários após a greve de três dias no início de junho. DFTrans afirma que não há previsão de aumento
Empresas do sistema de transporte público pressionam o Governo do Distrito Federal por aumento das tarifas de ônibus. A greve que durou três dias e terminou no último dia 10 de junho gerou um aumento na despesa dos empresários, que dizem não ter condições de arcar com estes custos por muito tempo. O DFTrans, por sua vez, afirma que não há previsão para o aumento da passagem para o usuário.
“Este aumento de 10% [concedido após a greve] não é só para os motoristas e cobradores. Executivos, assessores profissionais de todas as áreas também tiveram reajuste no salário, no tíquete alimentação e na cesta básica. O custo aumentou de maneira significativa”, disse uma fonte ligada a uma das empresas concessionárias.
Pela reivindicação das empresas, a nova tabela de preços teria as passagens de R$ 2 subindo para R$ 3 (50%); de R$ 3 para R$ 4 (33%); de R$ 1,50 para R$ 1,80 (20%); e de R$ 2,50 para R$ 3 (20%). A saída para não aumentar o preço das tarifas seria a revisão do subsídio do governo às empresas, a chamada tarifa técnica (leia Saiba Mais).
Fontes ligadas aos empresários do transporte público afirmam que até setembro, caso o governo não aumente o subsídio às empresas, as passagens terão que subir. “Se o governo acha o valor da tarifa muito alto e não quer transferir o ônus para o usuário, então vai ter que pagar uma parte”, disse.
O DFTrans contrapõe a reivindicação lembrando que a data-base do reajuste dos rodoviários é em setembro. Por isso o acordo entre empregados e patrões não tem impacto algum na tarifa técnica vigente até 14 de setembro. “Após essa data, a tarifa é reajustada de acordo com cálculo previsto no edital de licitação”, disse o órgão, em nota.
A revisão dos valores da tarifa técnica está previsto no contrato de concessão e visa garantir o equilíbrio financeiro do serviço. Nesse caso, o valor pode sofrer acréscimo ou corte. “O contrato não pode ser prejudicial para nenhuma das duas partes; se o valor estiver defasado, é preciso aumentá-lo. Porém, se os custos diminuírem, ele pode ser reduzido para que o governo não fique no prejuízo”, explica o secretário de Mobilidade Urbana, Carlos Tomé.
Em março deste ano, o governo aumentou o valor do subsídio repassado às empresas Viação Pioneira e Marechal, que atendem, respectivamente, 300 mil e 200 mil usuários. O governo prometeu que, em abril, reavaliaria também o valor pago a outras três concessionárias – Piracicabana, São José e HP-ITA –, mas até o momento nenhuma tratativa foi iniciada. Além dessas, a Urbi também cobra a revisão do aporte governamental.
O reajuste das demais empresas depende, segundo o DFTrans, da “análise de variáveis e parâmetros que ainda estão sendo calculados, e devem ser verificados em conjunto com as empresas, para não resultar em uma revisão indevidamente onerosa para um sistema já deficitário”.
A Secretaria de Mobilidade Urbana afirmou, por meio de sua assessoria, que “enquanto não houver melhora dos serviços prestados à população não haverá reajuste de passagens”. O reajuste deve ocorrer apenas quando houver a “reformulação da programação operacional, com o desenvolvimento de várias atividades intermediárias, tais como: recadastramento de validadores, reprogramação e racionalização de linhas e contratação de projeto piloto de sistema de bilhetagem automática”.
Relembre
Durante a campanha eleitoral de 2014, um dos assuntos mais discutidos foi a mobilidade urbana. Na reta final do segundo turno, o então adversário de Rollemberg, Jofran Frejat (PR), lançou a promessa de implantar, se eleito, a chamada “Tarifa Frejat”. Consistia em adotar a tarifa única de R$ 1 em todas as linhas de ônibus do DF.saiba Mais
O cálculo da tarifa técnica é feito com base nos custos operacionais da empresa divididos pelos passageiros que passam pela catraca. São levados em consideração, por exemplo, os gastos com combustível, manutenção da frota e impostos. O subsídio complementa as despesas operacionais das empresas e também as passagens de pessoas que com deficiência e os estudantes, que têm gratuidade garantida por lei. São 220 mil beneficiários do Passe Livre Estudantil e 58 mil pessoas com deficiência. O governo arca com cerca de 45% do custo do transporte público no DF.fonte brasilia capital
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