Distritais insistem em criação de CPI
Millena Lopes e Francisco Dutra
redacao@jornaldebrasilia.com.br
Distritais se irritaram com a divulgação, por um perfil falso no Facebook, de áudios gravados na reunião. Neles, deputados reivindicavam mais espaço no governo.
“Trata-se de um fato grave, que expõe as vísceras do Poder Executivo e do Poder Legislativo também”, dispara o distrital Wellington Luiz (PMDB). Independentemente da investigação iniciada pela Polícia Civil, a pedido do governador, ele acha que os distritais devem insistir na CPI. “São ações independentes, com objetivos distintos. Enquanto a polícia investigará as implicações criminais, a Câmara avaliará as questões políticas”, ressaltou.
Não faz sentido
O petista Ricardo Vale engrossou o coro. Para ele, não tem sentido recolher a assinatura de quase toda a Casa - apenas os deputados Agaciel Maia (PTC) e Júlio César Ribeiro (PRB) não assinaram o requerimento - e não abrir a CPI. Ontem, ele ameaçou retirar o nome, caso a investigação não prospere.
Bispo Renato, que procurou os deputados para pedir as assinaturas, disse que não basta protocolar: “Temos que ver se vai torná-la viável”, argumentou.
É preciso fazer escolhas
Segundo o Regimento Interno da Casa podem tramitar apenas duas CPI’s ao mesmo tempo. Com a instalação da comissão que investiga a última licitação para o transporte público na Casa, é possível abrir mais uma. Mas a dos grampos pode ser inviabilizada pela intenção de se investigar a área de saúde.
Nos bastidores, há quem aposte que a insistência nesta CPI não passa de teatro dos distritais. A própria presidente da Casa, deputada Celina Leão - que não apareceu ontem na Câmara, por estar, segundo a assessoria, com problema de saúde - já havia dito que é preciso esperar a investigação da Polícia Civil.
Avalia-se que a instalação desta CPI traria ainda mais desgaste para a relação entre Palácio do Buriti e Câmara Legislativa.
GDF teme aparição de novos áudios
O governo teme o surgimento de novos áudios de conversas entre os deputados distritais e a cúpula da gestão Rollemberg. Por enquanto, o receio não repousa sobre o conteúdo dos diálogos, mas sim pelos novos golpes na frágil relação entre o Executivo e Legislativo. “Eu prefiro acreditar que não tenha mais nenhuma gravação”, observou o secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas.
Ele tem trabalhado com esforço para restabelecer a boa relação e conquistar a confiança dos deputados distritais. O surgimento de novos áudios poderia expor ainda mais essa fragilidade.
Sobre o conteúdo de eventuais novos áudios, Marcos Dantas declarou que o tema não tira o sono do governo. Mas a questão da segurança sim. “A quem interessa criar esse clima? Isso que a gente precisa descobrir também. No momento, em que atravessamos tantos problemas e estamos superando todos os problemas, agora tem essa prática atrasada, condenada por quem pratica a democracia e quem quer o Estado de Direito”, disse Dantas.
Tempo
Na opinião do secretário, existem grupos que apostam no “caos” do Distrito Federal. Nesse sentido, ele afiançou que o governo está empenhado em descobrir a autoria dos vazamentos pelas investigações da Polícia Civil.
Para o secretário, é preciso deixar que os investigadores levem o inquérito no tempo necessário para evitar acusações equivocadas.
Procurada, a Polícia Civil não se manifestou sobre o andamento das investigações. O diretor-geral Eric Seba já havia dito que não teria como precisar o tempo para que os trabalhos fossem concluídos.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
Comentários
Postar um comentário