Família encontra dificuldades em tratamento e pede socorro
Jurana Lopes
Especial para o Jornal de Brasília
O rapaz, Francisco Ítalo de Araújo, 19 anos, teve a saúde comprometida após um acidente de motocicleta. Ele sofreu um traumatismo crânio-encefálico e nunca mais se recuperou. A colisão ocorreu em 2012, no Piauí, onde a família vivia. Após quase um ano de internação, Ana Paula resolveu se mudar para o DF na esperança de conseguir interná-lo no Hospital Sarah Kubitschek, mas não conseguiu. O jovem perdeu os movimentos, não fala e vive em cima de uma cama. A mãe não pode trabalhar, pois precisa cuidar do filho doente.
Ana Paula diz não enfrentar problemas ao obter a alimentação de Francisco nas farmácias. Entretanto, sempre que é necessário trocar a sonda da urina, é informada no Centro de Saúde 1 de que não há agentes comunitários suficientes. “Quem vem fazer a troca são duas enfermeiras que se solidarizaram com a história dele. Antes, tinha uma médica do posto e vinha atender o Ítalo aqui em casa com pena por causa da nossa situação. Mas ela saiu e não há uma frequência no atendimento dele”, explica.
Transporte
Ana Paula afirma que a família não tem carro e, quando aciona o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o transporte de Ítalo ao hospital, sempre recebe respostas negativas. Diante das dificuldades, ela encontra apoio em colegas da igreja, que doam fraldas e material para curativos.
A luta da dona de casa é pelo acompanhamento médico de Ítalo, principalmente nas especialidades de urologia – devido à infecção de urina – e fisioterapia por causa da perda dos movimentos. Ana Paula também está preocupada por não poder comprar um colchão especial para o jovem. “Por ficar deitado, está começando a criar escaras”, diz.
Versão oficial
Apesar das reclamações da mãe de Francisco Ítalo, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) esclareceu, por meio de nota, que o paciente recebe visita mensal de uma enfermeira e uma técnica de enfermagem para troca da sonda uretral. A última troca ocorreu na sexta-feira passada. Segundo a pasta, as duas profissionais são do Centro de Saúde 1 de Santa Maria, que compareceram à residência do paciente e orientaram a família a procurar o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), onde a troca da sonda nasogástrica será feita.
A secretaria informou ainda que a troca desta sonda ocorre a cada três meses, diferentemente da uretral, que é num período de um mês. “Para trocar a sonda nasogástrica, o paciente deve comparecer ao hospital- referência - neste caso o HRSM - para que um médico faça a troca. O procedimento na unidade é necessário, pois requer que seja feito antes um raio X para verificar o local exato de afixar a sonda”.
A direção do HRSM orientou que a mãe do paciente procure a emergência do hospital para que a troca seja feita na hora. Havendo dificuldade para locomoção, deve-se entrar em contato com o Samu para fazer a remoção até o hospital. Mas essa dificuldade também foi denunciada pela mãe.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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