Ingovernabilidade, caos, crise social,{ fato } Dilma e Rollemberg na berlinda .



Situações políticas novas tendem a ser comparadas e reduzidas a outras, já vividas, principalmente quando traumáticas. Bastaram se juntar recessão econômica, governo sob pressão social da direita e da esquerda, mobilizações sociais, para que vozes agourentas se levantassem para comparar o momento atual do Brasil a 1964 e abrir o arsenal conservador de categorias para tentar dar conta do que vivemos hoje no governo Dilma e Rolleberg.. Abordagens quase sempre midiáticas, impressionistas, sem captar o movimento que articula a realidade e explica sua dinâmica, sempre contraditória.
Uma de duas: ou se fabricam mais chapéus ou se cortam cabeças. A consciência de que os tempos expansivos do capitalismo ficavam para trás apontavam para a segunda alternativa, surgindo daí conceitos como o de "democracia restringida", revelando como o liberalismo passava claramente a apontar para modelos econômicos, sistemas políticos e políticas sociais restritivos. Ajustes fiscais, esvaziamento da política e focalização social -passaram a estar na moda. E tudo o que destoasse passaria a ser caracterizado como fator de ingovernabilidade e de caos social.
País se liberalismo tardio - porque enquanto a moda corria solta na América Latina nós afirmávamos direitos com a "Constituição cidadã" presidida por Ulysses Guimarães - foi esta mesma vítima das teses da "ingovernabilidade", nem bem era promulgada, pelas vozes do então presidente José Sarney e seu ministro do interior, Saulo Ramos. A Constituição democrática garantia direitos demais, inviabilizando o Estado e a economia vigentes. Como não se encarava a possibilidade de reforma democrática do Estado e de expansão econômica com distruibuição de renda, passaram a  cortar cabeças ao invés de fabricar mais chapéus, que levariam à hegemonia neoliberal.
Um governo sob pressão - e não adianta as autoridades financeiras dizerem que não governam sob pressão, porque querem dizer que só atendem as pressões de cima e não as de baixo - do movimento social que não se contenta com ser coadjuvante num governo que elegeu para sair do neoliberalismo, ziguezagueia, entre rumos conservadores assumidos e nichos progressistas no seu interior. Caos social? Melhor falar de crise social, aquela não correspondência histórica entre as condições de reprodução do sistema vigente e as necessidades básicas da massa da população.
Que condições são essas? As de reprodução do capital financiero, na sua forma abertamente especulativa, hegemônica desde que passaram a primar as políticas de ajuste fiscal, promovendo uma brutal transferência de recursos do mundo da produção para o da especulação. Esta a fonte essencial da crise social e da eventual ingovernabilidade. Porque fonte aliementadora da crise social é o contingenciamento de  bilhões de dólares foram para o ralo nas ultimas décadas  - inutilmente - bom comportamento. É a taxa de juros real que suga da massa da população recursos transferidos aos bancos, como revelam periodicamente de forma despudorada os balanços dessas entidades, verdadeiros pulpos do inerte corpo social brasileiro.
Além do diagnóstico errado dos que apontam o movimento social - sindicatos  e seus representantes políticos - como fonte de ingovernabilidade e de caos, ele serve como "pega ladrão", enquanto cotidianamente o Estado continua a exercer seu papel no neoliberalismo de captação de impostos do mundo do trabalho para o pagamento dos juros da dívida. Do que se trata é de uma imensa luta por uma nova hegemonia na sociedade brasileira, conforme o neoliberalismo agoniza, porém ameaça sobreviver, e novas formas alternativas de governo e de organização social apenas começam a nascer. que Deus nos acuda !! Por paulao Da Estrutural 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIJOLO SOLIDÁRIO: A solução socioeconômica que a Estrutural precisa Por Eugenio Piedade - 31 de janeiro de 20190 Compartilhar Tweetar TIJOLO SOLIDÁRIO: A solução socioeconômica que a Estrutural precisa .

Verba de outros setores será redirecionada para recuperar Hospital de Base

Delúbio Soares e Jacinto Lamas deixam prisão para primeiro dia de trabalho