Desemprego no DF aumenta 39% em três anos
O drama da falta de trabalho não para de assustar os brasilienses. Estudo realizado pelo Instituto Brasiliense de Estudos da Economia Regional (Ibrase), em parceria com o Conselho Federal de Economia (Cofecon) revela que o desemprego no Distrito Federal tem crescido de forma acentuada, consequência de uma estrutura produtiva pouco diversificada, com a economia excessivamente dependente do setor público.
Entre dezembro de 2012 e setembro de 2015, o contingente desempregado passou de 162 mil no 4º trimestre de 2012 para 225 mil no 3º trimestre de 2015, aumento de 39% no período.
Futuro ainda pior
Em 2015, houve redução de 32 mil empregos no 1º trimestre e de 9 mil no 2º e 3º trimestres, tornando o saldo do ano, até o presente momento, negativo em 23 mil postos de trabalho.
Em face da persistência da crise econômica nacional, do quadro peculiar do DF e das sinalizações de setores empresariais, bastante cautelosos em efetuarem novas contratações para o período, o estudo estima a geração de apenas 13 mil novos postos de trabalho no 4º trimestre, o que resultaria num saldo negativo no ano de menos 10 mil empregos em relação ao mesmo período de 2014.
Pela primeira vez, em 23 anos da série da PED/DF, o estoque de empregos no final de um ano seria inferior ao do ano precedente.
“É possível que o DF se aproxime do número recorde de desempregados registrado pela PED/DF, de 268 mil, ocorrido em agosto de 2003”, afirma Júlio Miragaya, vice-presidente do Cofecon, em projeção para o início de 2016.
Sugestões contra a crise
O estudo do Ibrase aponta que determinadas ações poderiam incrementar a atividade econômica do Distrito Federeal e, consequentemente, ampliar a geração de postos de trabalho e mitigar o grave problema do desemprego, algumas de curto/médio prazo.
Como exemplo a instituição cita a implantação definitiva do Parque Cidade Digital, a inauguração efetiva da Cidade Administrativa em Taguatinga/Ceilândia e a ampliação e adequação do Polo Industrial JK.
Em ações de longo prazo, incentivariam a criação de empregos os chamados projetos estruturantes, como a construção do anel rodoviário, a conexão de Brasília com a Ferrovia Norte-Sul mediante um ramal ferroviário até Anápolis e a implantação do gasoduto Paulínia-Goiânia-Brasília.
“Falta ao DF uma estratégia de desenvolvimento que precisa ser discutida e decidida pela sociedade. No governo anterior até havia, mas foi desastrosa, assentada numa agenda de eventos esportivos (Copa do Mundo, Copa América, Universíades, jogos das Olimpíadas, Fórmula Indy etc), cujo impacto econômico gerado foi marginal e efêmero”, conclui Miragaya.
Comércio
Pelo resultado das vendas do varejo, o desemprego tende mesmo a aumentar em Brasília e em todo o País. Segundo o IBGE, As vendas do comércio tiveram queda de 0,5% em setembro em relação a agosto. Foi o oitavo mês consecutivo de queda do indicador.
Com o resultado, o comércio acumula uma queda de 3,3% nas vendas de janeiro a setembro deste ano, puxada pela menor venda em setores como tecidos, vestuários e calçados e artigos de uso pessoal e doméstico.
Quando comparada com o mesmo mês do ano passado, a queda das vendas do comércio foi de 6,2%. Com o número de setembro, o varejo registrou queda de 2,1% no acumulado de 12 meses.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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