Estrutural DF : governos passam e o sonho de ver uma cidade melhor fica !!

O sonho da mudança 

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A promessa de uma vida melhor. Foi esse um dos principais motivos que atraiu tantos moradores pra Estrutural na década de 80 e 90. E qualquer pessoa que mora na comunidade vai confirmar tal afirmação. O sonho de estar na capital do Brasil e a chance de conquistar um bom emprego fizeram centenas de famílias desembarcar em Brasília.

Cícera Maria da Silva Moraes, de 70 anos, foi uma dessas pessoas que deixou parentes e amigos no Nordeste e migrou para o Distrito Federal. Na esperança de ajudar a família, resolveu se instalar na área, denominada hoje como Estrutural. Na época, ela e vários outros invasores construíram seus barracos improvisados. A esperança começou então a dar espaço para as dificuldades, que surgiram acompanhadas ainda de medo, repressão e violência.

“Passamos muita dificuldade. Eu e minhas vizinhas íamos até a Ceilândia pra comprar comida e quando chegava aqui a polícia não deixa entrar com as sacolas. Quem morava na invasão não tinha direito de estudar, nem recebia atendimento no posto de saúde. Precisava pegar endereço de outros lugares para matricular as crianças na escola. A Estrutural tem preconceito para todo lado”, lembra.
Conviver com os momentos de tensão, quando os policiais invadiam o local e batiam nos moradores na tentativa de expulsar a população das casas são lembranças constantes na vida dos pioneiros da Estrutural. Um deles é Onório Batista da Silva, conhecido como “Velho do Burrinho”. O apelido ganhou força após ele levar um Burro na rampa do Palácio do Buriti em protesto aos políticos.

Silva diz que foram muitas noites de terror na Estrutural. “Teve muita gente que apanhou de polícia aqui dentro. Eles chegavam de madrugada com trator e derrubava os barracos sem nem saber se tinha gente dentro”, comenta. O comerciante Luís Carlos Costa, de 53 anos também presenciou muitas situações parecidas. Ele lembra que quando a invasão ganhou força as moradias eram de lona e quanto mais crescia a área maior era a confusão entre autoridades e moradores. “Teve criança que morreu na época. A mãe saiu de casa para comprar pão quando voltou a máquina tinha passado por cima do barraco dela, matando os dois filhos que estavam dentro. Não tinha respeito com ser humano. Eles não cumpriam palavra, apenas batiam e ameaçavam a população”, diz.

Entre as dificuldades, estava a falta de energia, gás, água e comida. Não tinha como sair e quem conseguia não voltava. As perseguições eram constantes. “Tive uns 10 barracos derrubados pelo governo. Teve uma época que eles isolaram todos, colocando cerca na Estrutural inteira para ameaçar a população. Graças ao Joaquim Roriz conseguimos ter uma pouco de paz. Ele não passou a máquina em cima de ninguém”, lembra.


“A Estrutural nunca vai mudar”

Como qualquer outra comunidade, a Estrutural enfrenta diversos problemas. Os moradores reclamam do saneamento básico precário, saúde, educação e segurança. Para aqueles que são pioneiros da comunidade, o Estado não dá a devida atenção ao povo. O pedreiro Zé Rodrigues de Sousa, de 54 anos, morador há quase 20, já presenciou muitas situações. Conhecido na comunidade por sempre buscar melhorias para os moradores, Zezinho, como é chamado, já tentou ingressar na política.

Na época sonhava em representar os moradores e levar melhorias ao local que diz “amar demais”. “Não sairia jamais daqui. Eu amo esse lugar. Muita gente sofreu, passamos muita dificuldade desde a origem da comunidade. Todos eram truculentos conosco, mas resistimos. Só que precisa melhorar. O governo tinha que regularizar tudo aqui”, diz.

Assim como Zezinho, o líder comunitário Paulo Batista também têm o mesmo sonho. Ver a Estrutural regularizada por completo. Engajado nas causas sociais e a frente dos problemas dos moradores junto de outros 11 representantes, Batista luta pra realizar esse desejo. “As autoridades só prometem. Eles tinham que olhar pra nossa cidade e ver que também somos um potencial e não só ver o povo como invasor”, diz. Na opinião de Cícera Maria da Silva Moraes, de 60 anos essa realidade nunca vai mudar, assim como a comunidade. “A Estrutural nunca vai mudar. Esse lugar sempre será desse jeito. Quem mora aqui vai continuar sofrendo com preconceito e outros problemas”, comenta.! fonte jornalismo Brunela Maria ! http://estrutural.weebly.com/

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